segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Portugal a Troika e a austeridade…….. valeu a pena ?


Na falta de ideias que possam colocar o país a crescer, produzindo bens e serviços que contribuam para melhorar o nível de vida dos portugueses e criar excedentes que permitam amortizar a nossa divida externa, os nossos governantes insistem no discurso já requentado do “Portugal não é igual à Grécia”. 
Do mesmo modo repetem até a exaustão que os sacrifícios valeram a pena, pensando que de tão repetida uma mentira, qual truque de magia, se transforme em verdade.
Infelizmente, por mais que repetida a mentira será sempre mentira, pois, como muito sabiamente o poeta António Aleixo dizia:

·         Para mentira ser segura
·         e atingir profundidade,
·         deve trazer à mistura
·         qualquer coisa de verdade……

E na verdade, ao contrário do muito propalado no discurso oficial, os sacrifícios não valeram a pena e o que sobrou foram coisas bem desagradáveis para a maioria da população portuguesa tais como:

  • Maior desigualdade social
  • Maior dívida pública
  • Enorme aumento de impostos
  • Aumentos na água, esgotos, luz, gás
  • Desemprego e trabalho precário
  • Aumento da emigração jovem…e menos jovem
  • Cortes em vencimentos e reformas
  • Corte no investimento público e privado
  • Obras ao abandono e por acabar (escolas, estradas, edifícios públicos, monumentos……..)
  • Fecho de hospitais e centros de saúde, escolas, correios, tribunais
  • Pagamento de portagens em auto-estradas sem alternativa……………………


Concluindo, em Portugal a austeridade funcionou, mas “não valeu a pena tanta austeridade”

SEPARADOS À NASCENÇA


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Uso da burka ou do chador proibido no Algarve




Raul Brandão escreve a propósito do biuco no seu livro "Os Pescadores", em 1922
"Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.
É um trajo misterioso e atraente. Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce... Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado - e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho.
É uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?... Fitou-nos, sumiu-se, e ainda - perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque..."
Trata-se de uma capa que cobre inteiramente quem a usava. A cabeça era oculta pelo próprio cabeção ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha. As mulheres embiocadas pareciam “ursos com cabeça de elefante”

Oficialmente a sua extinção ocorreu em 1882 e por ordem de Júlio Lourenço Pinto, então Governador Civil do Algarve, foi proibido nas ruas e templos, embora continuasse a ser usado em Olhão até aos anos 30 do século XX em que foram vistos os últimos biocos.